sexta-feira, 26 de junho de 2009

"Romance" traz Shakespeare, ciúme e mentiras

Crítica / Cinema
por César Augusto
Tendo como pano de fundo a lenda medieval Tristão e Isolda, o filme Romance (Brasil, 2008) conta a história de um ator e diretor de teatro que se apaixona por sua companheira de cena e relaciona-se com ela. No entanto, a contratação e o sucesso dela na TV desperta nele o ciúmes que será o tempero principal do filme.



Dirigido por Guel Arraes, conhecido por seu trabalho na televisão em minisséries, novelas e filmes com uma pitada de comédia (O Auto da Compadecida, TV Pirata e A Grande Família), e com um bom elenco “global”: Wagner Moura (Tropa de Elite; Ó Pai, ó), Letícia Sabatella (Vestido de Noiva; O Xango de Baker Street), Andréia Beltrão, José Wilker, Marco Nanini, Vladimir Brichta, entre outros, o filme é surpreendentemente poético e imprevisível.

Lançado em 2008, o filme volta em cartaz no projeto Cine Tela Brasil, na cidade de Valinhos em 24,25 e 26 de Junho, gratuito para alunos da rede pública de ensino.

Na trama, Pedro (Wagner Moura) é um diretor e ator de teatro que procura uma atriz que interprete Isolda, na peça Tristão e Isolda. Encontra Ana (Letícia Sabatella) e por ela se apaixona. Mesmo com toda a sabida dificuldade pela qual passa a classe teatral destes trópicos, ele consegue montar a peça com relativo sucesso, cuja estréia foi assistida por um diretor de TV, que convida Ana para trabalhar numa novela de TV. A partir daí, segue-se um enredo shakespeareano de ciúmes, mentiras, brigas e paixões que surpreendem pela criatividade e pelo ineditismo.


Em seu primeiro drama, Guel se sai muito bem ao dosar a sensualidade, o erotismo e a veracidade das situações que envolvem os bastidores da TV e do teatro, propondo várias discussões pertinentes, entre elas o duela entre Cultura Erudita e Cultura de Massa, ao colocar um diretor que prefere a penúria a render-se ao “baú” televisivo. Permite ainda uma visita a Shakespeare, cujo Romeu e Julieta, teve influência naquela lenda medieval.


Merece destaque ainda a versão nordestina de Tristão e Isolda, proposta na película por Pedro, antes turrão defensor do teatro, convertido a diretor de TV pela amada. Pela universalidade da obra, fica então a sensação de que já se viu essa história em algum livreto de cordel ou mesmo nas canções regionais dos nossos inúmeros artistas brasileiros. Ah, tem também a maravilhosa música de Caetano Veloso, que sempre dá um charme especial à tudo que participa.




Por tudo isso, Romance serve tanto para reflexão sobre o amor “é possível um amor recíproco feliz?” como para algumas horas de lazer desfrutando de um enredo que mistura Shakespeare, ciúmes e mentiras, que vai da sociedade romana medieval ao árido sertão nordestino.


Ficha Técnica


Título Original: Romance
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2008
Site Oficial: http://www.romanceofilme.com.br/
Estúdio: Natasha Filmes / Miravista / Globo Filmes
Distribuição: Buena Vista International
Direção: Guel Arraes
Roteiro: Guel Arraes e Jorge Furtado
Produção: Paula Lavigne
Música: Caetano Veloso
Fotografia: Adriano Goldman
Direção de Arte: Marlise Storchi
Figurino: Cao Albuquerque
Edição: Gustavo Giani


Elenco



Wagner Moura (Pedro)
Letícia Sabatella (Ana)
Andréa Beltrão (Fernanda)
Vladimir Brichta (Orlando/José)
José Wilker (Danilo)
Marco Nanini (Rodolfo)
Edmilson Barros (Edmilson)
Bruno Garcia (Dinho)
Tonico Pereira (Diretor)



Veja o trailler:



CÉSAR AUGUSTO é professor de Língua Portuguesa e metido a crítico de cinema

domingo, 21 de junho de 2009

A Fazenda: mais do mesmo

Crítica / TV
Por César Augusto



A estréia do “novo” reality show da Record trouxe uma triste constatação: não há perspectiva de inovação na TV brasileira.

A Fazenda pode ser definido como uma salada de Casa dos Artistas, Big Brother e No Limite. Isso porque tem os famosos decadentes do então surpreendente programa do SBT, o apresentador jornalista de reality “Global” (Brito Júnior, faz o papel de Pedro Bial) e as provas bizarras do Survivor tupiniquim.

A novidade, parece-me, está na cara-de-pau com que os produtores copiam descaradamente o formato dos demais programas, sem se dar ao trabalho de disfarçar, um pouco que seja, para parecer minimamente original.

Entre outras coisas, o programa da Record utilizou-se do mesmo expediente de Silvio Santos ao fazer mistério sobre os “artistas” que iriam entrar na peleja pelo prêmio de 1 milhão e lembrou Faustão ao exibir depoimentos parabenizando os participantes à moda do Arquivo Confidencial.

Diante disso, não se pode esperar nada além do que já aconteceu nos realitys anteriores: brigas, festas, affair, traições, eliminação e, quando finalmente se passarem as 11 semanas de duração do programa, conhecer-se-á o vencedor do prêmio, restando aos demais as revistas masculinas, gays, de fofocas, presenças Vips em festas e quem sabe, para alguns, a volta ao mundo das celebridades, cada vez mais volátil, que o diga a penca de ex-bbb’s, ex-casa dos artistas, ex-isso e ex-aquilo que perambulam pelo mundo sem dar um único autógrafo.

E segue, assim, a triste sina de quem não pode pagar uma TV por assinatura:

  • agüentar os telejornais que demonizam governos de esquerda;
  • enfrentar telenovelas enfadonhas, cujo final já se conhece desde o primeiro capítulo, sejam elas ambientadas num país asiático ou no interior de Minas Gerais;
  • e fazer de conta que acredita que os realitys são realidade e que o público pode, de fato, interferir neles.

Resumindo: a Fazenda é mais do mesmo. Para quem gosta de mesmice, é um prato cheio.

Avaliação




CÉSAR AUGUSTO é professor de Língua Portuguesa e metido a crítico de TV

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PROJETO DE LEITURA: Caixa de Livros